09 janeiro 2011

Putania

Depois de relutar bruscamente
contra as contrações
da madrugada,
acordei
com o frigido vento das:
(cinco e quinze).
Esperei o sol
dar o raiar da desgraça
na companhia de Tchaikovsky
e outros mais fantasmas
que me assolavam.
Por segundos, olhei para meu corpo
rodeado pela mediocridade do meu ser
e chorei.
Nas lagrimas
os uivos das putas
que à noite brevemente
me confortavam.
Libidinosas e infernais
com suas,
gemidas psicodélicas de psy.



                                                                  P.A

Amores, dores & clausuras

Na cama
Já não me deito só.
Aflitas são minhas mãos

[Mesmo quando em teus seios repousam]

Encaro a noite
Como quem encara
A dor e a tara

Às vezes > (amor) < às vezes

Depois de horas
Os porcos lambuzados
De volúpia

Vão dormir: [Cada qual com o seu adormecimento].
                

                                                   P.A

01 janeiro 2011

Homens que pecam e vivem por ti


Por traz de um olhar que deseja
A sempre um homem a espreita
São franzinas e rosadas tuas bochechas
E delas surgem líquidos
Dignos de homens que pecam
E no aconchego de tuas nádegas
Navegas comigo
Nas ondas que circundam
O mar da luxuria
Compõe tuas melodias roucas
Não negues, cometendo tamanha injúria
Que seja ríspido, mesmo que ainda afável
Por certo, assim seja provável.
                                                                                               P.A
Caramelo

Toda tarde
vou ao centro pra tentar escrever
e tomar suco de laranja,
encontro a mesma cadeira
e os mesmos ouvidos.
Por alguns instantes fico feliz,
e digo:
Como é bom lembrar que existe o silencio!
Caminho sobre o mesmo sol
deparo com o meu rosto em
Lagrimas,
quando renasce o mesmo pressentimento
que o dia foi longo essa tarde.                                           
                                             
                                                                                                     P.A
Apesar da escrita

Os sonhos de um homem
Declinam a angustia de seus dias
O escritor a mercê de uma mulher viciosa
Escreve solitário, abomina sua demasia.
Ó escritor porque temes teu destino?
Escreve e descreve suas trêmulas rapinas
Veja o bar e teus vícios
Neles repousam castros perdidos
Neles ressoam a surdez de um poeta
Que lê um livro.


 
P.A
Quando uma mulher beijou minha ausência

Como podes causar tanto mal
Sendo apenas uma surda mulher
Carrega no manto o suor dos leigos
E no corpo a concupiscência.
Vão aos embalos de quem dança
Sua dança leviana
Filósofos e beberrões
Homens e nações
E dizem: mulher a que veio?
Pra destoar à alma, e alimentar o corpo?

 
P.A
Aquele


Aquele arrogante homem
Aquele pedante desdém
Aquele que em mesmice abençoa
Aquele assim seja amém

Aquele que em mesmice caçoa
Aquele relógio opaco
Aquele que por voz me calo

Aquele soneto de chibatadas
Aquele ser que chora
Aquele que fez das noites jornada
Aquele que fez dos dias demora.

P.A




09 agosto 2010


Santa Fé


Eu
Desacreditei

das

minhas crenças religiosas por falta de
esperança
ou
excesso
de
ignorância,
Não
sei
dizer
ao
certo
Hoje
caminho
incerto...
Ateu de Deus.





                                         P.A

08 agosto 2010

Sabatina 1

Eu me embriago
E o mundo gira de ressaca.
Eu lúcido desmaio
Pelas ruas sádicas do meu interior.

Sabatina 2

Um homem impotente
É bem menos quente
Do que uma crente fervorosa

Sabatina 3

Minha família
Cultua suas tradições astutas
De um império desmoronado

Sabatina 4

Sem beira de mar
Sem eira de estar
Haverá sempre um longe a chegar.

Sabatina 5

Diga ao vento
Que não sou mais menino
Pois minha nudez
Vergonha não sente

Sabatina 6

Uma mulher despida
De vestes coloridas
Só pode ser moça aflita.

P.A



Pequena

Hoje sou criança
Infanto aprendiz dos meus sonhos
Nos ensinos cirandas da vida
Enche-me os olhos
De futuros destemidos

Já brinquei de corda
Hoje bordo minha felicidade
Caminho agora
Aflorada de desejos juvenis

Vou pelos campos literários
Feliz na plenitude do saber
O que serei?
Deus me livre saber

Vou arranhado meus pés
Nos espinhos das minhas indecisões
Deus me livre entender.

                                                                                                          P.A
Cidade das estrelas no chão

Com tamanho engano
Fui rasgando o vento de medo
Botei fumaça no peito
Tornei-me sujeito Niilista

Logo cedo
Fiz minha ultima oração costumeira
Os meus olhos contemplavam
O passear de um novo mundo

Lá fui
Cheio de aromas e Desejos
Imundos pelo minério

Nos espinhos
Pus-me a sambar

Era grande o meu desjeito
Aticei-me a sonhar
Dormindo na quina
De uma estrela decadente.
(Arthuso)
Reencarnação

O paraíso passeava
Sobre os brotos de minhas mãos
A noite fria abria as portas...
Para o menino poeta.

Dominou minhas arestas
Com teu lírico de Adônis
Ademais, em teu olhar...
Inalava uma candeia acesa.
(Arthuso)
Peculiar

Terno vistoso e ajustado
Diplomata...
Formado em escola de Bento

(Com seu olhar negro)

Olha o Nego
Com seu rebento ao relento.

(Arthuso)

20 julho 2010

Todo eu...

Solfeja... Solfejos, nos teus Beijos
A noite arrasta em seus Braços
O dia casa, em minhas lembranças.

Seja como for
Que seja... Desejo, ardor.
Ou seja... Longo, curto fulgor.
Mas ama dor, Amor!

(Arthuso)

11 julho 2010

Insônia

Noite devota das minhas inspirações
Espectadora dos meus rotineiros vícios
Embora fria, em desespero, tardia.
Conforta alma minha

Homicida das minhas razões
Ouvinte de minhas indagações
Canção fúnebre das minhas paixões.

Senhora, deprimida e parteira
Concebe almas penadas
Penosas de fome.


(Arthuso)

13 junho 2010

AMPULHETA


Vá Gloria
Afloras o tempo
inclina o vendo chulo
De nosso sudeste imundo

Arrasta as horas
Pelos navios da esquina
Quina quadrada
Finda, amada viaja.

Meus pés
Reinado sobre
A deusa da Terra

No meu oráculo desembestado
Interno a madrugada
Entre fungadas de amor.
(Arthuso)