24 janeiro 2011

Homens que repetem silêncio

Quando a noite toca teu sonífero soneto
Decreta nos olhos peso
E nas declarações por vim, se vão...
Nas tuas mãos uma crença e um apelo


Com honrosa submissão
Aos seus atos não cometidos
Em seu peito
Alem de amor, habita sigilo


Ah, silêncio...
Navio de homens que gritam
Para sereias surdas.



Seus lábios vivem alvoroçados
No desejo incontrolado de dizer
Mas apenas repetem: silêncio.




P.A

22 janeiro 2011

Extra-cotidiano

Ah! A vida bucólica
os olhos do boi brilhando
ao ver o mato verde
A mesa, o café
e o dia que passa sem pressa
o suor dos moços
deixado no canavial
as abelhas e seus ferrões suicidas
seus idealismos recheados de mel
porcos sujos comendo lavagem 
crianças nuas cobertas de liberdade
sonhos semeados pela enxada
pedras perdidas nas pastagens
rosas, cravos e bananeiras
nascendo logo depois da capinagem
os pássaros cortando o céu
entoando seus cânticos renitentes
o queijo na forma, a broa de saída
a galinha atrevida explorando a varanda
Ah! A vida de beleza a pinta
Quando breve é mesmo bela.


P.A

Em Partes

Quero que meu filho seja criado na roça
Junto das galinhas, da bosta e do orvalho
Depois que morra na cidade
Junto dos carros, dos prédios e da sacanagem.


P.A

21 janeiro 2011

Diante de mim

Aqui está meu ser, em derradeira essência é construído.
Sobre uma montanha distante... (o observo com mais clareza)
Aí estão meus problemas e dores! Os tenho em volúpia.
No tempo breve de um gozo, os absorvo sistematicamente.
Venero minhas verdades humanas,
& os prazeres em viver na beira do abismo.
Em determinados dias...
Quero seduzir, dominar a fim de ver o caos.
Empurrar para o mesmo abismo,
essas gaivotas mesquinhas de assas cortadas..
Diante do céu, ao monte, pasmadas.
Depois de tal ato... Regozijar!
Em outros dias de redenção, estou demasiadamente grávido!
pronto para dar a luz ao “messias”. Nesses dias, suplico:
Que haja ouvidos para escutar meus olhos!


P.A

Queridos amigos!-Felicidade

A felicidade está viva! Fechem as portas!
Engane-a! Assassinai-a... O mais breve possível!
A felicidade é tão feroz quanto à paz!
é uma puta que mente as verdades a qual queremos ouvir,
que nos conforta no leito, impedindo de enxergar sua desonra;
e por fim a tratamos como gente de casa.


P.A

Recordação

Essas almas conturbadas
Que vivem e passam atadas
Aos olhares do entardecer

Repletas de sabias ignorâncias
Atordoadas no vazio de ser

Rendem a loucura
Dita cuja essência do amor
Vulgo sentimento dos Bêbados
Cantores da rua do pudor

A inquieta mocidade
Foi precoce
Pernoitando em suas lembranças

Os desvarios da juventude
Rapazes, compadres do diabo
Com seus discursos desatinados
No ato de tragar...

Trazem em nossos cansados olhares
Uma recordação.

 P.A

19 janeiro 2011

O Senhor Dorso

Enquanto a neblina esfarela sem pressa
sobre as montanhas
se forçarmos as retinas descompensadas
poderemos ver um homem
carregando um corpo:

mórbido excluso de qualquer tratamento ameno!


Carrega tal fardo, como se ainda pequeno
já fosse corcunda
entre alegrias defuntas, e dores vivas
percorre o caminho do próprio desapego.


Quando ainda jovem
porém já corcunda
Diziam as línguas fundas:

“[Não se pode dizer que possui alguma beleza, mas de fato é um jovem muito promissor, com certeza será um exímio Escritor ou até quem sabe se faça Doutor].”



Escritor ou Doutor?
                               
                             
Pensava ele com as costas e com as indagações
Mais tarde, já demasiadamente fadigado
ia ter com as biscates da esquina 13
onde sua corcunda não era tão pesada.

                                                                                                                P.A

09 janeiro 2011

Putania

Depois de relutar bruscamente
contra as contrações
da madrugada,
acordei
com o frigido vento das:
(cinco e quinze).
Esperei o sol
dar o raiar da desgraça
na companhia de Tchaikovsky
e outros mais fantasmas
que me assolavam.
Por segundos, olhei para meu corpo
rodeado pela mediocridade do meu ser
e chorei.
Nas lagrimas
os uivos das putas
que à noite brevemente
me confortavam.
Libidinosas e infernais
com suas,
gemidas psicodélicas de psy.



                                                                  P.A

Amores, dores & clausuras

Na cama
Já não me deito só.
Aflitas são minhas mãos

[Mesmo quando em teus seios repousam]

Encaro a noite
Como quem encara
A dor e a tara

Às vezes > (amor) < às vezes

Depois de horas
Os porcos lambuzados
De volúpia

Vão dormir: [Cada qual com o seu adormecimento].
                

                                                   P.A

01 janeiro 2011

Homens que pecam e vivem por ti


Por traz de um olhar que deseja
A sempre um homem a espreita
São franzinas e rosadas tuas bochechas
E delas surgem líquidos
Dignos de homens que pecam
E no aconchego de tuas nádegas
Navegas comigo
Nas ondas que circundam
O mar da luxuria
Compõe tuas melodias roucas
Não negues, cometendo tamanha injúria
Que seja ríspido, mesmo que ainda afável
Por certo, assim seja provável.
                                                                                               P.A
Caramelo

Toda tarde
vou ao centro pra tentar escrever
e tomar suco de laranja,
encontro a mesma cadeira
e os mesmos ouvidos.
Por alguns instantes fico feliz,
e digo:
Como é bom lembrar que existe o silencio!
Caminho sobre o mesmo sol
deparo com o meu rosto em
Lagrimas,
quando renasce o mesmo pressentimento
que o dia foi longo essa tarde.                                           
                                             
                                                                                                     P.A
Apesar da escrita

Os sonhos de um homem
Declinam a angustia de seus dias
O escritor a mercê de uma mulher viciosa
Escreve solitário, abomina sua demasia.
Ó escritor porque temes teu destino?
Escreve e descreve suas trêmulas rapinas
Veja o bar e teus vícios
Neles repousam castros perdidos
Neles ressoam a surdez de um poeta
Que lê um livro.


 
P.A
Quando uma mulher beijou minha ausência

Como podes causar tanto mal
Sendo apenas uma surda mulher
Carrega no manto o suor dos leigos
E no corpo a concupiscência.
Vão aos embalos de quem dança
Sua dança leviana
Filósofos e beberrões
Homens e nações
E dizem: mulher a que veio?
Pra destoar à alma, e alimentar o corpo?

 
P.A
Aquele


Aquele arrogante homem
Aquele pedante desdém
Aquele que em mesmice abençoa
Aquele assim seja amém

Aquele que em mesmice caçoa
Aquele relógio opaco
Aquele que por voz me calo

Aquele soneto de chibatadas
Aquele ser que chora
Aquele que fez das noites jornada
Aquele que fez dos dias demora.

P.A