29 maio 2010

Soneto da Chuva


Com um cobertor molhado na face
E as unhas sujas de sangue
O teto a derramar em meu juízo
Andava eu, adentro ao sol.

Lembro ter despojado
Meu vigor sobre a lua
E me deste apenas descaso

Fez de mim ruína
Guiou vida minha
Para a rua do acaso

Meus olhos eram cansados
Diante do naufrágio de minhas idéias
Em MINAS repousava inverno
Na minha alma apenas matéria.
(Arthuso)

[ Dedico essa poesia ao meu amigo Patrick Braz ]


Apolo

Fui eu narina. Corpo todo,
Até a colina, em suaves pastos.
Indesejados rastros do céu

Desejos a ganhar boca em mel
E nos teus seios, ternura, em mim.
Amordaça de jasmim, que baila no ar.

Abraçar meu doce veneno
Como quem abraça uma dança
Se par, e desatar passos na imensidão.
Ser flor, e desabrochar nas tardes de verão.

(Arthuso)

23 maio 2010

Feto

Meus caros amigos leigos
Bem sei...
Que nem todos
São desprovidos de tal virtude.


Vivo a perpetuar meu enredo
Entre as ferrugens de minhas dentaduras
Bem sei...
Das flores cinza que indago
Em meu peito.

Os botões já decretam liberdade
Minhas calças se acanham
Bem sei...
Que logo serei solidão

Na minha garganta
Um vôo colossal de sonhos
Bem sei ...
Que no meu antigo caminho Fatídico
Destinava um prelúdio

O que me resta agora
São as cartas de um triste homem
Bem sei...
Que de velho
Tenho apenas um moleque caduco.


(Arthuso)

21 maio 2010

Tétano

Calaste todos os meus vícios
Pra conseguires me viciar
Banhou-me nos teus extintos
Atinou a furoar meu leito

Perturbou a paz
Onde paz não há

Perdestes nossos beijos
Em certas ruas
Onde enforcam desocupados

O nosso mastro
Segue fiel nas nuvens

Deixe que falem
E atalhem seus caminhos.

(Arthuso)

18 maio 2010

Do monte

Vejo Andar pelas ruas de ferro
Com os três pés cansados
Chapéu a vagar no vago
Seu peito aberto no terno fechado

Modernista por acaso
Não de fato, mas de esperança.
Por caminhos a caminhar
Na liberdade da escrita

É maior que o intuído de ser
No entre calar dos seus olhos
É mineiro turvo
Solitário feito o entardecer

Sol brilha
Despertando a neblina
Botina, café... poesia

Homem que vem de traz do monte
Sorriso no contemplar da rima
É feriado em Itabira


(Arthuso)

17 maio 2010

Pena que minas não têm mar

Eu não me importo
Com o seu não querer importar
Guardei em uma caixa de fósforos
Todo propósito de amar

O nosso amor virou casamento
E naquele momento pude enxergar
Uma nuvem de cimento
Por cima do nosso mel, luar...

Eu tinha mais prazer
Em ver os navios
Irem de encontro ao mar
Do que o prazer de te amar
Mar de minas gerais

Não te tenho, como minas também não tem mar
Há um tempo a traz.
No tempo em que o verbo que mais conjugava
Era o verbo amar

Meu amor por você é mais puro
Que as águas do mar de Minas gerais
Ah meu Deus que descuido
Minas não têm mar de mais.

(Arthuso)
Bárbara


Entre lençóis ao pé da cama
Mordidos pelo calor da noite
A uma ensolarada manha fria
Quando é hora de dizer adeus
.

(Arthuso)
Teatro embriagado

Eu sou um vagabundo fracassado
Meu coração é prostituto
Sou um esperma embriagado
Sou semente sem fruto

Pois vivo do teatro
Sou namorado dos palcos do mundo
Meu desejo é viciado
Pelos aplausos profundos

Eu ignoro os olhares
Dos ricos de rua
Pois me prendo nos ares
Da inspiração que cura

Nos copos de alucinações
Embriago-me na arte
Pois vivo as insatisfações
Da auto critica que me não me abate.

Branco Dias
Martinha



Como uma praga invadindo,
A colheita no verão...
Eu vi a noite perecer,
Nos braços de uma triste aurora,

Logo cedo...
Vi o ababelado carregador
Um garoto acabaçando sem fôlego
Que Ditava o colorido do sol

Botei no punho relógio
Pra não perder o tempo
Em uma outrora qualquer

Cobri o frio, com café.
Curei a ressaca, com mé
Dei um beijo na muie
Ela disse: inté Bené

O martírio foi me ganhado
Sem pudor martirizando

Pois Chegando de tardinha
Fiquei, a saber.
Que Minha amante martinha
No altar ia se render

(Arthuso)