12 fevereiro 2011

Oscilações

Aquela assombrosa tempestade noturna
lençóis, proa, pernas. As sobras em ação
refletindo na parede oca: vômitos de entranhas
para as entranhas, submersas no mar inconsciente

[escarrei aquele naufrágio num esbugalhar]


Fitei minhas mãos, antes marinhas
e sobre a face, as repousei
pus-me a soluçar freneticamente
pus-me a devanear
nas ondas sonoras de Chet Baker


Era mais uma coruja infâmia
gritando ferozmente aos meus ouvidos
seduzindo-me em tua seda obscura
partindo a moral de minha cama casta


internando-me nas lacunas da loucura
& num ato insano, fixava meus olhos
nos louros de Lou Salomé


[Conformado com minha existência não espelhada]

caminhavam às cegas vistas
sem brilho, cor, ou decoro
apenas um quadro negro que perdurava
no roteiro irreal do meu psiquismo.

P.A

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